sexta-feira, 16 de abril de 2010

O PROJETO DE PESQUISA

1 ESTUDO PRELIMINAR

Para a elaboração de um Projeto de Pesquisa, deve ser feito um estudo preparatório ou um esboço do projeto, o qual denomino por Anteprojeto da Pesquisa. Nesta fase, o pesquisador (estudante) faz uma retrospectiva de seus conhecimentos, de sua trajetória escolar ou profissional para escolher o empreendimento a realizar: registra as várias opções, procurando seguir caminhos já conhecidos. De posse desses elementos, discute com seu orientador (professor) para poder iniciar o seu plano.
PROJETO é derivado do latim projectu, cuja tradução é: “lançado para diante”; entre suas definições cito: a) idéia que se forma de executar ou realizar algo, no futuro; plano, intento, desígnio; b) empreendimento a ser realizado dentro de determinado esquema: projeto administrativo; projetos educacionais: projeto de pesquisa; c) redação ou esboço preparatório ou provisório de um texto: projeto de estatuto; projeto de tese; d) esboço ou risco de obra a se realizar; plano: projeto de cenário.
PESQUISA origina-se do espanhol: pesquisa; defino para este estudo como: a) ato ou efeito de pesquisar; b) indagação ou busca minuciosa para averiguação da realidade; investigação, inquirição; c) investigação e estudo, minudentes e sistemáticos, com o fim de descobrir ou estabelecer fatos ou princípios relativos a um campo qualquer do conhecimento: pesquisa contábil; d) idéia que se forma de executar ou realizar algo, no futuro; plano, intento, desígnio; e) redação ou esboço preparatório ou provisório de um texto; f) empreendimento a ser realizado dentro de determinado esquema.
Para a elaboração do PROJETO DE PESQUISA, após a escolha do tema e do assunto, o primeiro passo é a consulta bibliográfica, a qual se completará com a pesquisa de campo, de mercado, de motivação, de opinião ou outra.
Coletados os elementos iniciais, procede-se no fichamento – manual ou computadorizado – do material para a produção do futuro relatório da pesquisa ou da monografia.
O projeto é um trabalho destinado à elaboração da pesquisa, contendo um plano de ação objetivando definir um problema e a forma pelo qual ele será inquirido; ele é um esquema de coleta, de mensuração e análise de dados, onde poderá sofrer alterações em seu desenvolvimento.

1.2 DIREITOS AUTORAIS
Para a construção do texto ou da obra, o autor deve ter conhecimento da existência de Lei que regula os direitos autorais, entendendo-se sob esta denominação os direitos de autor e os que lhes são conexos, de estrangeiros, domiciliados no exterior, os nacionais ou pessoas domiciliadas em país que assegure aos brasileiros ou pessoas domiciliadas no Brasil a reciprocidade na proteção aos direitos autorais ou equivalentes.
Assim, os direitos autorais reputam-se, para os efeitos legais, bens móveis, assim considerados:
I - publicação - o oferecimento de obra literária, artística ou científica ao conhecimento do público, com o consentimento do autor, ou de qualquer outro titular de direito de autor, por qualquer forma ou processo;
II - transmissão ou emissão - a difusão de sons ou de sons e imagens, por meio de ondas radioelétricas; sinais de satélite; fio, cabo ou outro condutor; meios óticos ou qualquer outro processo eletromagnético;
III - retransmissão - a emissão simultânea da transmissão de uma empresa por outra;
IV - distribuição - a colocação à disposição do público do original ou cópia de obras literárias, artísticas ou científicas, interpretações ou execuções fixadas e fonogramas, mediante a venda, locação ou qualquer outra forma de transferência de propriedade ou posse;
V - comunicação ao público - ato mediante o qual a obra é colocada ao alcance do público, por qualquer meio ou procedimento e que não consista na distribuição de exemplares;
VI - reprodução - a cópia de um ou vários exemplares de uma obra literária, artística ou científica ou de um fonograma, de qualquer forma tangível, incluindo qualquer armazenamento permanente ou temporário por meios eletrônicos ou qualquer outro meio de fixação que venha a ser desenvolvido;
VII - contrafação - a reprodução não autorizada;
VIII - obra:
a) em co-autoria - quando é criada em comum, por dois ou mais autores;
b) anônima - quando não se indica o nome do autor, por sua vontade ou por ser desconhecido;
c) pseudônima - quando o autor se oculta sob nome suposto;
d) inédita - a que não haja sido objeto de publicação;
e) póstuma - a que se publique após a morte do autor;
f) originária - a criação primígena;
g) derivada - a que, constituindo criação intelectual nova, resulta da transformação de obra originária;
h) coletiva - a criada por iniciativa, organização e responsabilidade de uma pessoa física ou jurídica, que a publica sob seu nome ou marca e que é constituída pela participação de diferentes autores, cujas contribuições se fundem numa criação autônoma;
i) audiovisual - a que resulta da fixação de imagens com ou sem som, que tenha a finalidade de criar, por meio de sua reprodução, a impressão de movimento, independentemente dos processos de sua captação, do suporte usado inicial ou posteriormente para fixá-lo, bem como dos meios utilizados para sua veiculação;
IX - fonograma - toda fixação de sons de uma execução ou interpretação ou de outros sons, ou de uma representação de sons que não seja uma fixação incluída em uma obra audiovisual;
X - editor - a pessoa física ou jurídica à qual se atribui o direito exclusivo de reprodução da obra e o dever de divulgá-la, nos limites previstos no contrato de edição;
XI - produtor - a pessoa física ou jurídica que toma a iniciativa e tem a responsabilidade econômica da primeira fixação do fonograma ou da obra audiovisual, qualquer que seja a natureza do suporte utilizado;
XII - radiodifusão - a transmissão sem fio, inclusive por satélites, de sons ou imagens e sons ou das representações desses, para recepção ao público e a transmissão de sinais codificados, quando os meios de decodificação sejam oferecidos ao público pelo organismo de radiodifusão ou com seu consentimento;
XIII - artistas intérpretes ou executantes - todos os atores, cantores, músicos, bailarinos ou outras pessoas que representem um papel, cantem, recitem, declamem, interpretem ou executem em qualquer forma obras literárias ou artísticas ou expressões do folclore.
O Código Penal Brasileiro estabelece para quem violar direito autoral a pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa. Se a violação consistir em reprodução, por qualquer meio, com intuito de lucro, de obra intelectual, no todo ou em parte, sem a autorização expressa do autor ou de quem o represente, ou consistir na reprodução de fonograma ou videofonograma, sem autorização do produtor ou de quem o represente a pena: é a reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa. Na mesma pena do incorre quem vende, expõe à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta, empresta, troca ou tem em depósito, com intuito de lucro, original ou cópia de obra intelectual, fonograma ou videofonograma, produzidos ou reproduzidos com violação de direito autoral.
Nestes termos, cabe referenciar sempre os autores dos originais, mediante citações diretas ou indiretas, indicando a parte da autoria mediante aspas quando for no texto, ou em letra menor, com recuo de quatro centímetros da margem esquerda, quando a citação for superior a três linhas; pode figurar, ainda, em nota de rodapé ou em nota de final do texto.

1.3 O PROJETO

A redação do projeto de pesquisa e do trabalho final da pesquisa pode ser feita na primeira pessoa do singular (eu).
Esse projeto pode ser apresentado na seguinte forma:
a) CAPA DO PROJETO
Na capa devem ser inseridos, os elementos abaixo, com escrita na cor preta, sem desenhos, gravuras ou gráficos, com LETRAS MAIÚSCULAS, fonte tipo ARIAL e tamanho da fonte conforme indicações entre parênteses:
I - NOME DO AUTOR (20 a 24) centrado na parte superior;
II - PROJETO DE PESQUISA (16 a 20), centrado e no meio da capa;
III - TÍTULO: Subtítulo (16 a 20), centrado e no meio da capa, após a indicação de PROJETO DE PESQUISA;
IV - CUIABÁ, mar./2009 - local e data, (16 a 20) centrado na parte inferior;
V- UNIVERSIDADE DE CUIABÁ - Nome da instituição, abaixo do local e ano (16 a 20);
VI - CURSO ESPECIALIZAÇÃO EM ..........................................– Nome do curso, abaixo do nome da Instituição (16 a 20)..
b) FOLHA DE ROSTO
Além dos elementos que compõem a capa do projeto, inserir:

Projeto de Pesquisa apresentado como requisito parcial para obtenção de crédito na disciplina Metodologia da Pesquisa, ministrada pelo Profª. Stela Marques Echeverria Silva.

c) SUMÁRIO
d) ESTRUTURA DO PROJETO
Para Salomon (2001, p. 215) “A pesquisa – trabalho científico por excelência – metodologicamente há de ser planejada. O projeto e o relatório final formam com ela um todo indissociável.”
A estrutura do projeto de pesquisa para se elaborar a monografia pode ser composta pelos tópicos abaixo descritos e explicados, cuja apresentação é seqüencial, sem necessidade de iniciar cada um dos tópicos em nova página. Nesta folha é iniciada a numeração a partir de 2 (o n.° 1 é a folha de rosto, que é contada, mas não numerada), a qual deve estar “à direita” e “na parte superior” da página.

1. TEMA
O assunto é macro, o tema é o objeto da pesquisa, ou seja, é o cenário onde se encontra a situação problema a ser pesquisada. Se a escolha do tema for bastante criteriosa, o sucesso do trabalho do futuro pesquisador será facilmente desenvolvido e terá forma mais objetiva.

2. JUSTIFICATIVA DO TEMA
A justificativa do tema consiste na apresentação, o pesquisador expõe suas razões de forma clara e concisa para a confecção da pesquisa; ela engloba a ordem teórica e/ou prática do trabalho.

3. OBJETIVO GERAL
É a visão global do assunto da pesquisa e os resultados que se procura alcançar. A apresentação dos objetivos deve conter dados que relatem o assunto da pesquisa, sem mostrar o desenvolvimento do trabalho proposto.

4. OBJETIVO ESPECÍFICO
Apesar de estar intrínseco ao objetivo geral, no objetivo específico há necessidade de se expor o ponto central do motivo específico da pesquisa, ou seja, o pesquisador deve saber mostrar a investigação científica dentro do tema proposto. Pode haver um ou mais objetivos específicos.

5. PROBLEMA
É o significado maior de se executar um projeto juntamente com ponto de partida do processo de investigação científica.
O problema implica dificuldade, dúvida, geralmente o problema é elaborado através de uma pergunta.

6. CONSTRUÇÃO DE HIPÓTESES
É uma possível resposta provisória e “solução” antecipada para o problema da pesquisa; daí a coleta de dados e sua análise se fazerem em função da hipótese.
As hipóteses precisam alcançar a busca dos objetivos propostos, para isso devem ser claras, simples, de fácil compreensão, e testáveis.
É através das hipóteses que analisamos o avanço do conhecimento, aprendendo coisas novas, tendo maior desempenho e esforço, independentemente dos valores e crenças do homem ela poderá ser a semente de uma nova teoria.

7. MARCO TEÓRICO DE REFERÊNCIA
Pode-se dividir em itens, a exemplo do que apresenta Salomon (2001, p. 219), pois para ele
[...] o marco teórico de referência reflete:
a) a opção do pesquisador dentro do universo ideológico e teórico em que se situam as diversas escolas, teorias e abordagens de seu campo de especialização;
b) a síntese em que chegou, após as análises e críticas a que submeteu os textos lidos e consultados;
c) o conjunto de conceitos, categorias e constructos abstratos que constituem o arcabouço teórico, em que se situam suas preocupações científicas, particularmente os problemas cognitivos que o preocupam (tanto os já explicitados como os em gestação);
d) a relevância contemporânea ou o caráter de atualização científica e exigida em toda pesquisa;
e) o balizamento teórico em que se dará a delimitação do problema – sua formulação e a operacionalização de conceitos e definições;
f) a base e o referencial da metodologia da pesquisa (não esquecer que teoria e métodos estão intimamente relacionados).

8. METODOLOGIA
Se o projeto é de pesquisa, devemos explicitar corretamente a sua metodologia. Não basta mostrar apenas se é científico.
Após coletarmos os dados e analisarmos, a metodologia irá informar os seus meios para a apresentação e levantamento das informações deles na pesquisa, sendo através de questionários, entrevistas, formulários, livros, jornais, entre outros.
A coleta de dados é a ação de como se sair bem. Como (individual); por quem (o próprio pesquisador); quando (período); onde se coletarão os dados da pesquisa. Caso for pesquisa quantitativa, definir o tamanho da população.

9. FORMAS DE APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS FINAIS
As apresentações devem ser através de relatórios, oral, vídeo, projetor multimídia e outros.

10. CRONOGRAMA
As épocas de realização dos trabalhos (normalmente em quinzenas/meses)

11. REFERÊNCIAS
No projeto de pesquisa devem ser indicadas todas as fontes e bibliografia utilizadas para a elaboração do marco teórico de referência, mediante observância às normas da ABNT, no caso a NBR 6023, editada em ago./2002, em vigor após 29.09.2002, data a partir da qual as obras de Metodologia Científica apresentam referências atualizadas.

1.4 TIPOS DE PESQUISA
• Pesquisa Bibliográfica: Na definição de Fachin (2001, p. 125) é o conjunto de conhecimentos humanos reunidos em obras. Tem como base fundamental conduzir o leitor a determinado assunto e a produção, coleção, armazenamento, reprodução, utilização e comunicação das informações coletadas para o desempenho da pesquisa. Constitui o ato de ler, selecionar, fichar, organizar e arquivar tópicos de interesse para a pesquisa. É a base para as demais pesquisas e pode-se dizer que é uma constante na vida de quem se propõe estudar.
• Pesquisa de Laboratório: é realizada, geralmente, em recinto fechado e com instrumentos próprios. Ela cria o contexto do objeto, ao mesmo tempo que provoca os fenômenos e os observa.
• Pesquisa de Campo: é a que se realiza com o fato social situado em seu ambiente natural, ou seja, seu habitat, sem nenhuma alteração imposta pelo pesquisador. Este tipo de pesquisa é aplicado ao ser humano, que é dotado da razão ou de psiquismo. Ela nunca poderá ser efetuada com animais irracionais, a exemplo de outros tipos de pesquisa. A pesquisa de campo é aplicada em investigações que procuram avaliar a eficácia de um conjunto de processos para auxiliar a sociedade.

1.5 CLASSIFICAÇÃO DAS PESQUISAS
A classificação da pesquisa com base em seus objetivos:
• Pesquisas Exploratórias: têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou construir hipóteses. Na maioria dos casos assume a forma de pesquisa bibliográfica ou de estudo de caso.
• Pesquisas Descritivas: têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de relações entre variáveis. As pesquisas explicativas são, juntamente com as exploratórias, as que habitualmente realizadas pelos pesquisadores sociais preocupados com a atuação prática. São as mais solicitadas por instituições educacionais, empresas comerciais, partidos políticos etc.
• Pesquisas Explicativas: seu objetivo principal é identificar fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Esta pesquisa é realizada para obter um conhecimento mais profundo da realidade, porque explica a razão, o porquê das coisas. É o tipo mais complexo e delicado, onde os riscos de cometer erros são maiores.

Como o delineamento expressa em linhas gerais o desenvolvimento da pesquisa, com ênfase nos procedimentos técnicos de coleta e análise de dados, torna-se possível, na prática, classificar as pesquisas segundo o seu delineamento:
• Pesquisa Bibliográfica: desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos.
• Pesquisa Documental: é semelhante a bibliográfica. Aqui os materiais ainda não receberam um tratamento científico. Vale-se de contribuições dos diversos autores sobre determinado assunto.
• Pesquisa Experimental: é o melhor exemplo de pesquisa científica. Consiste em determinar um objeto de estudo, selecionar as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, definir formas de controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto.
• Pesquisa Ex-post-facto: um “experimento” é realizado após os fatos.
• Levantamento: caracteriza-se pela interrogação direta cujo comportamento se deseja conhecer.
• Estudo de Caso: estudo de um ou poucos objetos de maneira profunda e exaustiva para o amplo e detalhado conhecimento. É recomendável na fase inicial de investigação de temas complexos, para a construção de hipóteses ou reformulação do problema.
• Pesquisa-ação: é um tipo de pesquisa com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e participantes estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo.
• Pesquisa Participante: é muito utilizada para minimizar a relação entre dirigentes e dirigidos e por essa razão é voltada para a investigação junto a grupos desfavorecidos.
Colaborou:
Profª. Stela Marques Echeverria Silva

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